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Deuses negros: os faraós advindos da Núbia

Written By Site Arqueologia Egípcia on terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 | 15:26:00

Derivados da Núbia, atual Sudão, os chamados atualmente de “Faraós Negros” até poucas décadas tinha sua história pouco conhecida, contudo, na atualidade já estão começando a despertar o interesse em termos de pesquisa.

Pertencente a um país extremamente rico em ouro, as sociedades núbias foram dominadas pelos egípcios durante séculos graças a este material. Contudo, apesar da sua antiga subordinação, em meados de 700 a.E.C. guerreiros kushitas (palavra advinda de Kush, o império núbio), bastante conhecidos por sua perícia militar, adentraram o Egito com o objetivo de dominar o país. Já tinham ocorrido outras tentativas, mas todas falharam, uma vez que qualquer principio de revolta em outros séculos era abafada pelos faraós, mas desta vez os antigos servos conseguiram se sobressair criando a 25ª Dinastia (Terceiro Período Intermediário), isto graças ao caos políticos em que o Egito se encontrava.

Faraó Taharka. Foto disponível em < http://students.greensboroday.org/~andersenj/Egypt/ >. Acesso em 10 de agosto de 2014.


Acredita-se que um dos responsáveis pela empreitada foi o rei Piye que conseguiu o feito de levar a sua frota naval, mesmo após alguns combates em solo egípcio, até Mênfis. Seu sucesso foi tamanho que ao chegar ao destino desejado já era recebido como faraó do Alto e Baixo Egito, cujo domínio seguia até o Mediterrâneo. Conhecemos este feito graças a “Estela de Piye”, encontrada em 1862 no templo de Amon em Gebel Barkal (Sudão). Sua coroação foi um dos destaques da 25ª Dinastia.

Contudo, embora tenha viajado de sul a norte do Egito para tomar o trono, Piye governou o país da cidade de Napata, na Núbia. Os motivos para tal nos são desconhecidos. No entanto, seu sucessor, Chabaka, transferiu o poder de volta para a cidade egípcia de Mênfis.

O número real de faraós núbios é incógnito. Grimal (2012), por exemplo, considera a existência de sete. São eles:

◘ Alara: o qual sabemos da existência, mas não existe menção sua direta como faraó;
◘ Kachta: cuja autoridade chega a Assuã;
◘ Piye: filho de Kachta e celebre faraó deste período;
◘ Chabaka: é considerado por Maneto como o fundador da 25ª Dinastia;
◘ Chabataka (Chebitku): existem indícios escritos que apontam uma batalha sua na Palestina contra os assírios.
◘ Taharka: disputou a soberania do Egito contra os assírios;
◘ Tantamano: apesar de uma vitória significativa contra os assírios, ele perde o domínio do Egito.

Já Baines e Malek (2008) aponta somente seis, excluindo Alara.

Tumba de Tanotamun. EJB. 2010.

A sepultura de alguns destes faraós, renegados pela historiografia e Arqueologia pelo simples fato de serem negros, estão no antigo território de Kush, mas especificamente no atualmente chamado de El-Kurru, no norte do Sudão.

Referências:
BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.
DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011.
GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

*Texto originalmente publicado em http://arqueologiaeprehistoria.com/2014/08/10/deuses-negros-os-faraos-advindos-da-nubia/
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